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DEBATE

VOLTADO PARA O FUTURO

Diretoria do Serpro debate em mesa redonda o passado e o futuro da empresa

QUAIS MARCOS NA HISTÓRIA DO SERPRO REPRESENTARAM RÁPIDA RESPOSTA AOS CLIENTES COM SOLUÇÕES QUE SEGUEM A TENDÊNCIA DO MERCADO?
Costabile –
O Serpro sempre manteve-se atualizado, respondeu às exigências e até criou determinadas coisas que nem o mercado tinha pedido. Não é uma empresa que reage às necessidades. Na verdade, sempre faz sua própria história, o que é diferente de prever o futuro para fazer planejamento. A questão é: o que faço para que o futuro seja do jeito de que gosto? Penso que sempre influenciou para que fosse diferente. Nunca tentou descobri-lo para se encaixar.

QUAL O RESULTADO DESSA ESTRATÉGIA?
Costabile –
Avanços como o Receitanet, a criação do CNPJ e do CPF. O Serpro sempre ofereceu ferramentas para que seus clientes pudessem inovar. E, hoje, a situação não é diferente desses 40 anos. A nossa história não é de passado, mas de buscar o presente olhando para o futuro.



Henrique Costabile

“O Serpro não é uma empresa que reage às necessidades. Sempre manteve-se atualizado, respondeu às exigências e até criou determinadas coisas que nem o mercado tinha pedido. E uma empresa que faz sua própria história”.
Henrique Costabile


COMO ASSIM?
Costabile –
A empresa é inovadora. Trabalha em conjunto com os seus clientes em busca de inovações que tragam benefícios para a sociedade. Ou seja, não é a tecnologia pela tecnologia. Penso que uma característica importante das pessoas que nela trabalham é estarem preparadas para as mudanças e entusiasmadas com as inovações.
Sérgio – As eleições nos Estados Unidos sempre nos fazem pensar no sistema de voto eletrônico do Brasil. O que pouca gente sabe é que foi um sistema que começou no Serpro. Auditamos a primeira apuração eletrônica em 1982, no Rio de Janeiro, corrigimos um erro de programação fazendo com que o eleito nas urnas fosse o eleito pelo sistema. A empresa tem tradição de poucos erros. Não se ouve falar de usuário ou cidadão que tenha reclamado do imposto de renda. E, como disse Costabile, temos característica inovadora. Quarenta anos de Serpro são 40 anos de inovação.

VOCÊ TEM OUTROS EXEMPLOS?
Sérgio - Foi aqui que, pela primeira vez, o digitador fez 50 minutos por dez de descanso. O mercado não aceitava e dizia que ia aumentar o custo, mas a empresa manteve o custo e até aumentou a produção, além de reduzir a doença do trabalho e oferecer melhores condições para a digitação. Costabile - O Brasil é o país que mais tem declarações de imposto de renda feitas pela internet. Em todos os fóruns internacionais de que participamos, somos elogiados em relação ao processamento do imposto. Pessoa jurídica 100% via internet e pessoa física com um percentual de 97%, o que também é expressivo. O Siscomex é extremamente inovador. Ele já funciona há alguns anos e, se hoje é atual, imagine na época em que começou a ser feito.

Quirici - No caso do Siscomex, aos 40 anos o Serpro inicia a construção de um novo sistema para as próximas quatro décadas, com benefícios para seus usuários. O sistema será simplificado e as transações de exportação e importação poderão ser feitas pela internet. É um sistema totalmente inédito em termos internacionais.
Armando – O Siscomex é um exemplo da sensibilidade à crítica como um das qualidades da empresa. Já tivemos nesses 40 anos de existência momentos de impasse e de críticas severas que serviram para dar saltos. Nem sempre tivemos um mar de almirante. O curioso no caso do Siscomex é que o Serpro estava fora do processo no início. Fomos desafiados a fazer apenas parte desse grande projeto de negócios, por meio do Alice, um sistema de divulgação de informações de comércio exterior, em quatro meses. Foi um desafio porque já tinham tentando fazer o sistema sem êxito. Fizemos o Alice e nos ofereceram o módulo exportação. E nos foi dado novamente um prazo desafiador, que era o final do ano seguinte. Falarmos hoje de comércio exterior antes da existência desses serviços informatizados, é falarmos de papelada, burocracia e escritórios de despachante. O avanço foi signifi cativo. A tecnologia hoje disponível no Siscomex, em várias etapas do processo, é de ponta. Mas, nem tudo a informática pode fazer. Mudanças na legislação é que vão permitir um salto maior para o serviço ser mais ágil, diminuir o custo Brasil, entre outras coisas.


Sérgio Rosa

“A empresa tem tradição de poucos erros. Não se ouve falar de usuário ou cidadão que tenha reclamado do imposto de renda. Além disso, temos característica inovadora. Quarenta anos de serpro são 40 anos de inovação”.


QUE OUTROS DESTAQUES PODEM SER APONTADOS?
Armando - Hoje, grande parte das marcas Serpro têm mais de dez anos. Os sistemas estruturadores são serviços experimentados e consagrados. São vistos como produto estável e confiável que se mantém no tempo. E de uma maneira clara. Não vivemos aqui falando todos os dias que os sistemas pararam. Sérgio - O Aristóteles, falando sobre medicina, ouviu do filho: “quanto o médico deve cobrar? “. Respondeu: “ Se ele morrer, não vai pagar; se ele for curado, vai ficar muito satisfeito e querer pagar bem”. Portanto, o prestador de serviços deve se auto-avaliar, mas quem tem, sobretudo, de avaliar o prestador é o cliente. Quando o Armando disse que o Serpro absorve as críticas, vejo nisso um bom depoimento. Dizer que somos os melhores em tudo seria um mau depoimento.
Cangiano - A minha primeira experiência com o Serpro foi em 1977, como estagiário recrutado da Unicamp. Havia um programa de preparação dessas pessoas com bolsa de estudos regulamentada pelo governo. Lembro-me de que à época o processamento da Taxa Rodoviária Única era feito num IBM 360/158 com 16mb de memória, quase insignificante. Aprendíamos muito com as ferramentas dwwo Serpro que já tinha exemplos de excelência. A inovação quanto à organização por local de trabalho mencionada por Sérgio foi importante. Quem esteve no movimento sindical naquela época sabe que não havia em todas as empresas a possibilidade de se organizar por local de trabalho. E o Serpro mantém essa tradição até hoje. Outra inovação que devemos lembrar é o e-gov (programa de governo eletrônico do governo federal) e o SPB - Sistema de Pagamentos Brasileiro. A saída do Serpro do Orçamento Geral da União para o Programa de Dispêndios Globais aumenta o nosso desafio.
Luíza – A inovação é uma característica da empresa. O exemplo do Receitanet é bastante emblemático, porque, quando criamos a solução junto com a Receita Federal, o mundo todo olhava a informática do ponto de vista cliente/servidor. Há dez anos, saíamos do mainframe e o Serpro apostou na solução internet quando havia pouca perspectiva, do ponto de vista comercial, principalmente em relação ao estado/cidadão, via web. O projeto cresceu e é um sucesso porque reduz o tempo para o cidadão ter o retorno do estado e o tempo do processo. Além disso, reduz custos: estudos indicam que antes do Receitanet uma declaração não custava menos de R$ 4,00; hoje, fica entre R$ 0,10 a R$ 0,20.



“Com a interoperabilidade teremos serviços mais integrados para atender a empresas, governo e o cidadão. E um projeto estratégico que vai possibilitar benefícios como imprimir comprovantes eleitorais, agilização na emissão de passaporte e que os trabalhadores acessem o saldo dos fundos via internet.”
Antônio Cangiano


EXISTEM OUTROS CASOS DE REDUÇÃO DE CUSTO?
Luíza – O sistema de Comprasnet tem um enfoque muito grande na redução do custo Brasil porque permite a inclusão de outras empresas para prestarem serviços para o governo. Cito também o pregão eletrônico, que traz uma redução de custo, comprovada pelo Ministério do Planejamento, de no mínimo 25%. São dois grandes casos de sucesso que embasam o e-gov, juntamente com os projetos Linha da Vida e Interoperabilidade como soluções que temos para prestar novos serviços à sociedade.
Cangiano – Com a interoperabilidade, teremos serviços mais integrados para atender a empresas, governo e o cidadão. É algo estratégico que vai possibilitar benefícios como, por exemplo, levar o ticket da última eleição, que o setor de passaporte faça o reconhecimento único e que os trabalhadores tenham acesso a seus fundos e saibam, pela internet, quanto o empregador está depositando. Será possível abrir uma empresa pela web e um inventor vai ter acesso on-line às marcas registradas no INPI.

O SERPRO SEMPRE ESTEVE À FRENTE DE NOVAS SOLUÇÕES PARA O GOVERNO?
Luiza –
Exemplo emblemático é o Data Warehousing, tecnologia super madura, que desenvolvemos há dez anos. Com o volume de informações que temos hoje, seja dentro do governo ou no mundo inteiro, o Data Warehousing é uma solução do presente que garante o futuro. Outra parte que penso ser extremamente importante é a nossa preocupação com os processos. Temos toda uma história de processos dentro das áreas de infra-estrutura que são referenciais de mercado, com melhores práticas de mercado.

COMO ASSIM?
Luíza -
Desde os anos 70, vínhamos com as metodologias para mapeamento de processo que nos levaram ao PSDS e à certificação CMM com maturidade nível 2, caminhando para o 3. Temos o Programa Serpro de Qualidade que é um modelo extremamente importante para a gestão empresarial e a gestão dos nossos líderes e dos nossos gerentes. São indicadores que medem a empresa e melhoram o relacionamento com os clientes. Saímos de um relacionamento subjetivo para um relacionamento profissional, embasado em melhores práticas.
Quirici – Quero ressaltar a importância da gestão de projetos, dada a nossa necessidade de lidar com tecnologias complexas, sempre específica para o cliente. A implantação dessa gestão também é inovadora e representa uma grande mudança na cultura do Serpro com a formação de equipes multifuncionais dentro de parâmetros de medição mundialmente aceitos. É uma iniciativa estratégica porque torna factíveis os grandes desafios e indica como obter os resultados. Exemplo disso é o ambiente de pagamento, onde existe um projeto inteiro desenvolvido dentro da concepção e da metodologia definida pelo escritório de projetos para o cliente Banco Central. A responsabilidade com o software livre também é um exemplo de inovação. O Serpro foi a primeira empresa pública a ter um portal em plataforma livre.



Luiza Koshinoe

quot;O receitanet é um projeto de sucesso porque reduz o tempo do cidadão para ter retorno do estado e o tempo de processamento da informação. E também porque reduz custos: antes processar uma declaração não custava menos de R$ 4,00; hoje, fica entre R$ 0,10 a R$ 0,20."


VAMOS RETOMAR OS MARCOS COMO PALAVRA-CHAVE DESTE DEBATE. O QUE PENSAM QUANDO FALAMOS EM MARCOS?
Cangiano -
O Receitanet, para mim, é o mais importante. Afirmo como cidadão. Lembro-me de que começava a fazer uma declaração um mês antes do prazo. Era algo extremamente penoso. Algumas pessoas até contratavam um contador.
Quirici – O Siscomex é um marco.
Sérgio - As empresas que desenvolvem software são grandes, enquanto as pequenas são criativas e fornecedoras de algumas soluções,. Mas o mercado é ocupado por empresas grandes. O marco do Serpro é não ter se tornado um mastodonte. Sendo da área pública e grande, está na ponta, sintonizado e desmistificando algumas questões.
Costabile - O grande marco são as pessoas. Quem trabalha aqui gosta muito do que faz e tem orgulho de trabalhar no Serpro. Esta é a coisa mais importante. Discutimos isso em vários fóruns e sempre se chegou a uma conclusão consensual de que este orgulho é o nosso maior valor. É uma relação de amor o que une as pessoas à empresa. E isso se aplica a tudo: no respeito às pessoas, no respeito às diferenças, no respeito às opiniões contrárias. E isso é importante para uma empresa de tecnologia, que precisa do contraditório. Nós representamos a diretoria, mas não damos ordens ou mandamos. Imprimimos um certo ritmo, queremos determinadas direções, mas tudo é discutido. A empresa tem um curso próprio, o que é uma coisa fantástica. A democracia é da natureza o Serpro.
Sérgio – As opiniões são compartilhadas, quando algo não vai bem nós ficamos sabendo, as nossas negociações sindicais são duras, mas feitas com muita discussão, com muita vontade de se chegar a um resultado que seja bom para a empresa, o empregado, o acionista e o cidadão. Esse balanceamento é da máxima importância para a empresa.
Luíza - É nossa capacidade de se adaptar e melhorar o que fazemos. É uma característica extremamente importante para uma empresa que mexe com tecnologias de ciclo de vida curtíssimo, como é o nosso caso. Penso que soubemos, em cima dos ciclos tecnológicos, dar soluções para os nossos clientes, que fizeram diferença.
Armando - O grande marco é dar valor público a cada tecnologia empregada. Esse tem sido o Serpro nesses 40 anos. Não é a inovação pela inovação, mas a tecnologia efetivamente sendo usada a serviço de avanços da melhoria administrativa, da melhoria do estado. E isso tem um sentido muito grande. Realmente, pertencemos a uma empresa privilegiada que é crítica, não absorve qualquer coisa a qualquer tempo, por modismo. É difícil ver aqui projetos fracassados, com grandes gastos de recursos da União. A cada momento, a cada serviço, estamos buscando a tecnologia, até como indutora, mas não a fazendo prevalecer em cima da lógica daquele serviço que será colocado à disposição do público, no tamanho certo, na hora certa, e o custo reduzido.
Quirici - O marco é dar transparência e governança de onde o dinheiro está sendo aplicado. Tanto que, quando há algum problema no Siafi , quem hoje reclama é a sociedade, dizendo que o partido que está no governo não tem transparência. O tamanho político de um sistema como esse está imbuído no cenário nacional, não só no governo, mas nos estados e municípios.
Armando - Outro marco é a parceira com os seus clientes, responsável pelo sucesso da empresa. A parceria é de dupla mão. Primeiro, existe a confluência do nosso cliente, que adquirimos ao logo do tempo, porque a cada vez que conseguimos sucesso, galgamos mais patamares e ele fica mais seguro em nos contratar. A segunda é uma confiança nossa, em assumir determinados desafios que parecem, em algumas circunstâncias, impossíveis em termos de prazo, orçamento e dificuldade técnica. O Serpro não esmorece com coisas muito difíceis. Outro dado mencionado, mas que vou repetir, é que as críticas e sugestões são sempre muito bem recebidas. Isso também faz parte das parcerias.
Quirici - É importante falar em parceria, pois temos toda uma retaguarda de fornecedores da iniciativa privada, parceiros, que garantem o sucesso do Serpro.



Luiza Koshinoe

“A gestão de projetos representa uma grande mudança na cultura do serpro como iniciativa estratégica que torna factíveis os grandes desafios. o software livre é outro exemplo de inovação. Somos a primeira empresa pública a ter um portal em plataforma livre”.


QUE INFRA-ESTRUTURA É NECESSÁRIA PARA PROMOVER E SUSTENTAR ESTES AVANÇOS?
Luíza -
Temos uma infra-estrutura extremamente grande aqui, dentro da qual fazem parte nosso Datacenter, a Rede Serpro de Comunicação e Informação, o suporte à rede local e o pessoal que treina os usuários do sistema, tirando dúvidas, ouvindo reclamações. Tem também a parte de segurança, que é bastante robusta. No serviço interno, temos milhões de processos e auditorias e uma infra-estrutura externa aos prédios do Serpro nas instalações dos clientes. E lá, muitas vezes, as condições não são as ideais. Tivemos casos de trabalhar com geradores porque o município não tinha energia elétrica. Algumas situações eram insólitas. Certa vez, uma antena de satélite usada para a disponibilização do sistema dava problemas inexplicáveis durante a noite, mas funcionava bem durante o dia. Depois de vários dias observando, descobrimos que eram os galos que dormiam na antena.

PODERIAM DEFINIR O SERPRO EM UMA PALAVRA?
Armando: Crescimento.
Luíza: Competência.
Costabile: Transparência e cidadania.
Cangiano: Excelência.
Quirici: Desafio.
Sérgio: Para-um-país-de-todos. Põe hífem que fica uma palavra só (risos!)

tema
Ano XXVII - Edição 176 novembro/dezembro 2004